terça-feira, 26 de setembro de 2017

FINALMENTE

Que mais faz o homem na terra?
                       Técnicas.
Que mais pensa o homem nesta terra?
                        Tecnologia.

Que mais encontra o homem além da terra?

                       O vazio em dedos ágeis
               poucas conversas entre símbolos
                       na interação para ser

                       último e único.

Terra pelo viés de quem se cansa
e não encontra o sentido maior

                        técnica
                            tecnologia

na repetição de ocultos fazeres.

(Pedro Du Bois, inédito)

domingo, 24 de setembro de 2017

QUERER

Não seja música
apenas silêncio
não seja luz
apenas lâmpada
não seja poesia
apenas palavra

não queira ser momento
apenas amanheça em cada dia

não seja amor
apenas paixão
não seja eternidade
apenas temporalidade
não seja opressão
apenas pressão

não queira ser espectro entre cores
apenas cores em cada ocaso

                                arco-íris.

(Pedro Du Bois, inédito)

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

TRAGÉDIAS

        Sons expandidos
homens
entre nuvens

pássaros
      primeiros
             passos

                   humanos

máquinas simulam
a antigravidade
na força dos motores

                   nada mais.

(Pedro Du Bois, inédito)

domingo, 17 de setembro de 2017

OMISSÃO

Evite contar comigo
não me farei presente
quando necessário

espere estar aberta a porta
da ligação entre mundos
em suas necessidades

esqueça o presente
na especulação futura
   : sempre existirão contatos
  em ligações desnecessárias

evite contar comigo
não estarei presente.

(Pedro Du Bois, inédito)

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

meiotom poesia&prosa

Sede / Thirst, em:
http://www.meiotom.art.br/dupo17sede.html

O QUE FAZER

Repousa
cabeça entre as mãos
pernas suspensas
sobre o espaldar do sofá

tanto cansaço

dorme
sonha o acontecido
de forma fantasmagórica

tanto cansaço

acorda
durante a madrugada
com as pernas dormentes
        os braços anoitecidos

lembra o acontecido
chora o cansaço.

(Pedro Du Bois, inédito)

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

RETOMAR

No suado corpo
a ácida água
lava o corpo
das impurezas

adocicada água
torna inodoro
o corpo que na cama
busca novos suores
na novidade ácida
de outras águas.

(Pedro Du Bois, inédito)

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Vidraguas - Carmen Sílvia Presotto

Caros Amigos,
Com tristeza comunico que a nossa Carmen Sílvia Presotto faleceu nesta noite, em Porto Alegre.
Seu espaço, Vidraguas (http://www.vidraguas.com.br), permite exemplos de extremo bom gosto e construção poética, sem contar a sempre abertura aos amantes da literatura.
Beijos saudosos, Tita.
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NADA
Carmen Sílvia Presotto
tudo é
grana
o que
liberta
e encana
tudo é
grana
do que
consome
e vende drogas
tudo é
grana
do alimento
assaltado
ao mercado abonado
tudo é
grana
da cruz
da mala
à testa
sou poeta
minha bala
é de tinta
imagens, de fogo
e coração que arde
Lib(v)erdades!
Carmen Silvia Presotto – #vidráguas, agosto de 2017.

MISTÉRIO

Histérica história
duplamente contada
em detalhes escabrosos

versões contraditórias
em excludentes detalhes
de inverossímeis histórias
                              repetidas

no fim repousa a dúvida
em detalhes falsificados
de aumentado mistério.

(Pedro Du Bois, inédito)

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

NÃO VOLTAR

Não voltar
a imprevisão
marca os atos
           insensatos

corresponde ao fugitivo
                           esforço

esquece caminhos
e não lembra
o que teve

pouco fosse
pior estivesse

não voltar
       imprevisível esforço
       superado pelas lembranças.

(Pedro Du Bois, inédito)

terça-feira, 5 de setembro de 2017

TROCAR OS SINAIS

Substituímos os sinais
trazidos do começo

se nada de melhor
encontramos: mantemos
                       a tradição?

que mais podemos fazer?

não temos como manter
o que sempre foram
nem podemos ficar
com os velhos sinais

gostamos das substituições
fossem novas ocorrências

buzinamos
apitamos
batemos tambores
retesamos arcos de violinos
em na contramão

escondidos dos sinais
trocados em altas tores
fechamos as janelas
de grossos vidros.

(Pedro Du Bois, inédito)


domingo, 3 de setembro de 2017

VELHOS

A repetição
esconde a ineficácia
de quem dela se aproveita

alunos repetem
antigos mestres

envelhecidos
alunos.

(Pedro Du Bois, inédito)

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

RESTANTE

considero as possibilidades
calculo ângulos
         retas
infortúnios

considero as possibilidades
entre o querer e o pedir
apenas resíduos

considero o imponderável
acontecido entre nós
                       magicamente

considero o suficiente em olhos
                                    ouvidos
                    rabos de sereias
                    de mentirosas palavras

(no final) nada considero
nem pondero
        nem especulo
                nem calculo possibilidades

no restante: resto

(Pedro Du Bois, inédito)

Estudo Geral

Dizer, em:
https://luis-eg.blogspot.com.br/2017/08/um-poema-de-pedro-du-bois_31.html

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

REENCONTROS

Quem reencontro
em anos ausentes

quem reencontro
em caminhos presentes

quem não reconheço
em passagens perenes

quem não me reconhece
em tempos de oferenda.

(Pedro Du Bois, inédito)


quarta-feira, 23 de agosto de 2017

FRAGMENTOS

Retenho o que posso
                     fragmentos

o perdido olhar da mulher que passa
cigarro aceso ao descer do ônibus

ansiedade urbana
recolhida entre praças
                         ruas
            calçadas

desfragmento o olhar da mulher
                          que passa

                          apagado o cigarro
                          resta a fumaça.

(Pedro Du Bois, inédito)

TriploV Blog

Orgulho / Pride, em:
https://triplovblog.wordpress.com/2017/08/22/poema-36/

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

ÁGUAS

A água conserva
o que perdemos

o caldo original
a originalidade da seiva
o sangue que circulou
em nosso corpo

a água mantém
o que da terra exaure
renovado em chuvas
sobre nossas cabeças.

(Pedro Du Bois, inédito)

sábado, 19 de agosto de 2017

SOBRESSALTO

Vivo sobressaltado
espiando o tempo
margeado pelo muro
de escalada calçada
na imperiosa ótica
de que tudo faz mal

mal nenhum
mal-me-quer
mal consigo sair
em desabalada carreira
de fumaça e fogo

de todos os estorvos
e os corvos em roda

no tonto prazer
de tanto prazer
em prazeroso
fugir.

(Pedro Du Bois, inédito)

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

O QUE FOI

Não são as paredes
                  portas fechadas
                  caminhos obstruídos
                  pedras e paus

        barreiras sociais
                       psicológicas
                       psicopatológicas

a falta de preparo físico
                             técnico
                             tecnológico

o que não escrevo
como não me conservo
desde quando não me comunico

(apenas isso)

a raiva carregada
o desprezo entrevisto
a reprovação
   na última prova de vida.

(Pedro Du Bois, inédito)


terça-feira, 15 de agosto de 2017

LUGARES

Em tantos filmes gostaríamos de estar
ao lado do mocinho - se bem apessoado
cuidando da mocinha - nos seriados

em tantos romances queríamos estar
entre os protagonistas de capa e espada
figurantes nas questões de estado

em tantas conversas participar
junto aos velhos que se repetem
em mulheres filhos e empregados

em outras questões ter lugar
nos olhos do dragão: mirar a trajetória
do fogo e no pulo do leão sobre a presa

nos lugares em que não estivemos
entre o calor do colo que não reconhecemos
nas brasas sobre o chão em que nos queimamos.

(Pedro Du Bois, inédito)

domingo, 13 de agosto de 2017

ONDE

Em vão procuro teu corpo
deserta cama de alinhados lençóis

em vão espero teu sinal
inaudível sopro de outra boca

em vão espelho o olhar
inalcançável corpo em queda

em vão sei não te encontrar
onde repousam os pensamentos

nos desvãos da memória.

(Pedro Du Bois, inédito)

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

INDICAÇÕES

A seta indica
o comportado caminho

(até certo ponto)

que não prejudica
o caminhar

a seta não indica
pontos inconclusos
em passagens obtusas

nem interrupções da passagem
em corações quebrados
      orgulhos feridos
      ódio mortal.

(Pedro Du Bois, inédito)

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

FEIÇÕES

O trabalho
de cobrir o corpo
sem espiar o rosto

sem a visão
das feições da morte

a morte ameniza as feições
do que foi o rosto

corpo inerte na calçada: jornais
                     cobrem as feições
                     que não existem mais.

(Pedro Du Bois, inédito)

sábado, 5 de agosto de 2017

IMAGENS

O espelho translúcido
devolve convexas
imagens fragmentadas
do corpo em comparações

não se enxerga como aquele
que acompanha seu caminho
                 de longo trajeto

delineia o estranho vulto
fixado em olhos sobre o corpo
que poderia ser seu.

(Pedro Du Bois, inédito)

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

RETER

o que resta

memória

quebra-cabeça
disposto em cacos

mosaicos datados
no esquecimento
de eras imemoriais

(Pedro Du Bois, inédito)

terça-feira, 1 de agosto de 2017

DÚVIDAS

Buscamos sentidos
desencavamos fósseis
desarrumamos estantes
espiamos cantos escuros

precisamos do sentido
em respostas
provas
evidências
(meras) conjecturas

na dúvida perenizamos o medo
deixado pelos falsos profetas.

(Pedro Du Bois, inédito)


domingo, 30 de julho de 2017

QUANDO

Quando a fome aperta
sanduíches e sucos

quando a saudade aumenta
chocolates e doces

quando a razão desperta
verdes folhas e adoçantes

quando a paixão se manifesta
    afrodisíacos    afrodisíacos

quando o portão se abre
cores espalham o horizonte

quando esqueço o sentimento
sento e assisto       corro e colho
a última flor com que recomeço.

(Pedro Du Bois, inédito)

sexta-feira, 28 de julho de 2017

meiotom poesia&prosa

Homenagem Tardia / Late Homage, em:
http://www.meiotom.art.br/dupo17tardia.html

GLÓRIA

Busco a glória do meu povo:
     homens anônimos nas ruas
     seres perscrutando números
     mulheres no suor da faina

busco amores entre meu povo:
        homens receosos do mando
        seres retorcidos sem voz
        mulheres em novas gestações

busco luzes que iluminem meu povo:
          seres apagados em telas foscas
          homens ávidos sobre mulheres
          mulheres chorosas em folhetins

             nenhuma cadeira na calçada
                    nenhuma gostosa risada
  nenhum pai a brincar com os filhos
 nenhum casal se divertindo na cama.

(Pedro Du Bois, inédito)

quarta-feira, 26 de julho de 2017

CONSTATAÇÃO

Abraçados

cabeça em seu peito
diz baixinho: "iremos
para o inferno"

sem esboçar gestos
aproxima a boca
do seu ouvido
e balbucia: "estamos
no inferno"

único impulso
todas as quedas.

(Pedro Du Bois, inédito)

segunda-feira, 24 de julho de 2017

COMPROMETER

Na melhor resposta
que não sei dar
não cobro explicações
nem me considero comprometido
com qualquer projeto

na melhor proposta
que não faço
não me ofereço ao trabalho
nem me considero comprometido
com qualquer serviço

na melhor resposta
em voz baixa
entredentes
minha última sentença
sem comprometimento.

(Pedro Du Bois, inédito)

sábado, 22 de julho de 2017

HOMENS

Homens vindos pelo mar
da esperança

       encontram terras de fartura
       ao fugir do destino
       inóspito

dão suas vidas pela bandeira
                        alto estandarte
                                memória
          de terras deixadas
                  sem futuro
                  sem regresso
                  no atraso personificado

homens ao mar antes
de encontrar outras terras
de perdições submersas.

(Pedro Du Bois, inédito)


quinta-feira, 20 de julho de 2017

VER

Vejo
não há sorriso
em teu rosto

apenas o anel
cintila no gesto

encostada em algo

           porta?
         janela?
       portal?

vejo
como devia:

       não há trevo sobre a porta
       por onde passas.

(Pedro Du Bois, inédito)

meiotom poesia&arte

Comodidade / Convenience, em:
http://www.meiotom.art.br/dupo17como.html

terça-feira, 18 de julho de 2017

OUTRA VISÃO

Quando olharem para o norte
olhe para o leste
poderá não ser a melhor vista
mas será apenas sua

quando olharem o atacante
na corrida em direção do gol
olhe para o goleiro angustiado
por não poder participar

quando olharem os gestos da aeromoça
explicando procedimentos de emergência
olhe para o seus olhos na fria visão
de quem sabe não valer a pena

vale a pena na multidão olhar o outro lado
onde o pipoqueiro vende sua mercadoria
impassível diante do espetáculo.

(Pedro Du Bois, inédito)

Modus vivendi

Comodidade, em:
http://amata.anaroque.com/arquivo/2017/07/da_comodidade

domingo, 16 de julho de 2017

ESPERA

Todas
as horas
     significam

          tempos

            desperdiçados

em outras
horas e tempos

            quando não estás.
           
(Pedro Du Bois, inédito)

sexta-feira, 14 de julho de 2017

TEMPOS

Imperceptivelmente
(i)mutável

no horizonte
nosso planeta
          em vida

vermes conhecem as mudanças
esporos entendem as nuances
a luz estelar avisa do cansaço

          nem ouvimos
          nem entendemos
          o devido saber

mudanças carregam tempos
roubados de nossa temporalidade.

(Pedro Du Bois, inédito)

quarta-feira, 12 de julho de 2017

AQUI: ALI JÁ É LÁ

diminuta distância
separa os corpos
que se expressam em cena

não há cenário que esconda
corpos que se mostram
em sucessivas imagens

aqui: perto de todos
ali: longe de todos
lá: apenas o lado de fora

nenhuma distância nos separa
           apenas o aqui e o ali
fazem longe o que lá está.

(Pedro Du Bois, inédito)

segunda-feira, 10 de julho de 2017

AMIGOS

O trabalho supre a solidão
                existe
               exige
espelho maior

a passagem amplia
a paisagem interior

aumenta a sensação
de estar só.

(Pedro Du Bois, inédito)


sábado, 8 de julho de 2017

SOLIDÃO

Tantas vezes a solidão
ao caminhar pelas calçadas:
                    não olha para os lados
                    que a ninguém reconhece

a solidão entre paredes
e muros em tempos
de portas e janelas
cerradas: ninguém
entra ou sai

tantas vezes a solidão
no olhar vago pelas calçadas:
               apenas o vento e a chuva
               são companheiros.
                 
(Pedro Du Bois, inédito)

quinta-feira, 6 de julho de 2017

AJUDA

Dispenso a ajuda
cuido dos anzóis

mesmo sem peixes
permaneço na beira do rio

na pesca de sentimentos
reavivo pensamentos
pertencentes aos sonhos

impossível conseguir ajuda
na inaceitável fuga ao sacrifício
que me torna impossível
sair da beira do rio.

(Pedro Du Bois, inédito)


Triplo V Blog

Morte / Death, em:
https://triplovblog.wordpress.com/2017/07/05/poema-34/?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+wordpress%2FYcoP+%28TriploV+Blog%29

terça-feira, 4 de julho de 2017

SOLIDÃO

A solidão nos pequenos gestos
que me acompanham

nem arrumo a mesa
nem dependuro a toalha
nem refaço a cama

a solidão desvelada em fases:

                faces que não
                me acompanham

arrumo a mesa
dependuro a toalha
refaço a cama.

(Pedro Du Bois, inédito)

domingo, 2 de julho de 2017

COROAS

As cabeças coroadas
fossem penachos de aves
no último canto

não vislumbro sorrisos
nem vestígios de arrumações
(in)comuns como sempre

em faces impassíveis
todo nobre se apresenta
na certeza do clima
de final de festa

nenhuma coroa retorna
ao armário envidraçado.

(Pedro Du Bois, inédito)

sexta-feira, 30 de junho de 2017

PERMISSÕES

Permitida a severa censura
em prévia autorização
pela hora de chegar
e ir embora

são permitidas estreitas
margens no caminho
com restritas faixas
de insegurança

permitem que possamos
descobrir os limites
entender os limites
        em limitações.

(Pedro Du Bois, inédito)



quinta-feira, 29 de junho de 2017

Sobre o Amor

Coluna de Sueli Gehlen Frosi, no Jornal Diário da Manhã,
Passo Fundo, RS, em 17.06.2017, tendo por motivo o meu
livro "Tânia":

http://www.diariodamanha.com/blog/vermateria/1815/Sobre+o+amor%21

COLEÇÃO DE PALAVRAS

Jornal O Nacional, Passo Fundo, RS


Coleção de palavras

23/06/2017 às 08:00, por Gilberto Cunha

Coleção de Palavras, eis um título irretocável e
“aparentemente adequado” para um livro de poemas.
Friso o “aparentemente adequado” e faço um convite
à reflexão: seria COLEÇÃO DE PALAVRAS uma boa
definição de poema? Não, indubitavelmente não!
Ainda assim, esse título do novo livro de Pedro
Du Bois, em minha opinião, continua merecedor
do epiteto irretocável e adequado. Por quê? Tentar
responder a essa indagação é a intenção do colunista,
que , por especial deferência do autor, foi agraciado
com o convite  para assinar o prefácio dessa obra.
Oxalá isso aconteça!
Um verdadeiro poema não é uma mera coleção
de palavras, embora as palavras sejam a matéria-prima
que os POETAS usam para tecer versos. As palavras são
apenas símbolos. Nada mais que símbolos, não raros
mortos, quando isoladas ou, em certos casos, até mesmo
incrustadas em versos bem rimados. A revelação da poesia
oculta nas palavras usadas em versos é o trabalho que
compete ao POETA.
O POETA não é um colecionador de palavras. Talvez essa
seja uma boa definição para um dicionarista. O POETA,
antes de tudo, é um colecionador de emoções. O verdadeiro
POETA consegue expressar de formar singular e cabal,
ao tocar na emotividade do leitor, aquilo que muito tentaram
por outros meios, inclusive
usando palavras, mas não conseguiram. As emoções estão
escondidas nas palavras. E o dever do POETA é encontrá-las 
e deixá-las a descoberto, disponíveis aos olhos do leitor.
Quando isso acontece, a verdadeira poesia é produzida e não
apenas mais um poema. Ninguém consegue ser POETA o tempo
 todo e nem todos os versos que produz virarão necessariamente
poesia. Até porque isso não depende apenas do POETA, por mais
hábil que ele seja. Para cada poema produzido, é travada uma
espécie de diálogo intimo entre o POETA e o LEITOR, cujos versos
ganham sentido não pelo significado das palavras, mas pela
imaginação e pelas emoções que suscitam. Assim, para alguns
leitores um poema pode não passar de uma coleção de palavras
e para outros ganhar o status de coleção de emoções.
Pedro Du Bois é um singular versejador e POETA profícuo,
como bem atesta a sua vasta produção literária. É um menestrel
do verso livre. E nesse novo livro, COLEÇÃO DE PALAVRAS, ele
mantem a tradição de produzir boa poesia, ao transformar,
majoritariamente, uma coleção de palavras (poemas) em uma
coleção de emoções (poesia). Com isso, justifica que, se a
um prosador ficcionista basta ter fidelidade com a imaginação,
ao POETA cabe ser fiel com a emoção. E Pedro Du Bois, em
COLEÇÃO DE PALAVRAS, não ignora e nem deixa de lado essa
obrigação do POETA. Pelo contrário, leva-a a sério ao extremo.
Por último, cumpre a esse colunista o dever de honestidade
com os futuros leitores: há poemas (coleção de palavras) e
muita poesia (coleção e emoções) nesse livro, como, aliás, frise-se
isso, sói acontecer em todo livro de poemas. Cada leitor, assim
como eu fui, será tocado de forma diferente na sua emotividade
pelos versos de Pedro Du Bois. Eu, entre tantos, à guisa de exemplo 
apenas, destaco como os meus versos preferidos os do poema
ERRO:  “Recebo a encomenda não solicitada: abro a embalagem 
e surpreso encontro o objeto sonhado/ Comunico a não devolução 
do fato e a sua apropriação indébita: sou indevido proprietário.” 
Que cada leitor pegue o seu significado para esses versos,
que certamente será diferente do meu. E isso é poesia! Isso
é emoção! Que você, prezado leitor, encontre mais emoções
do que palavras, nessa coleção de poemas de Pedro Du Bois.
É o meu desejo!
E como bem frisou Pedro Du Bois, justificando a publicação
do livro: “poucas oportunidades tem o poeta para expor
seus versos”. Razão pela qual, antecipam-se agradecimentos.
O livro foi publicado com a chancela do Projeto Passo Fundo
 de Apoio à Cultura (http://www.projetopassofundo.com.br/) e
pode ser adquirido na Delta Livraria e Papelaria, em Passo Fundo.


terça-feira, 13 de junho de 2017

O QUE NÃO PENSARAM

Quando os povos nômades
entenderam o cultivo da terra
e se adonaram das cavernas
tiveram cães por companheiros
                  para afastar as feras

não tiveram clarividência
para evitar (in)certos exageros
                  no viver sedentário

               águas frias
               noites frias
               estações frias

               muito mormaço.

(Pedro Du Bois, inédito)


domingo, 11 de junho de 2017

ANUNCIAR

Arauto
em chegada estelar
de última lembrança

quem de nós merece
o contato?

arauto
em intergalática viagem
de últimas lembranças

quem de nós esquece
o contato?

arautos
transitam estrelas
em silêncio.

(Pedro Du Bois, inédito)

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Leonardo Sodré Blog - em homenagem

Corpos, em:
http://leonardosodre.blogspot.com.br/2017/06/corpos.html

ÚLTIMO GOLE

Tantos interesses sustentam 
cada amizade

podem as amizades sustentar
os interesses

- mesa dos fundos
  copo pela metade
  de bebida quente -

tantas amizades sobrevivem
aos interesses

podem os interesses 
desabrochar em amizades

- último gole
   garrafa vazia.

(Pedro Du Bois, inédito)

quarta-feira, 7 de junho de 2017

CABEÇAS

Quando a pressão aumenta
em nossas cabeças
fazemos o que não devíamos

quando a expressão explode
nossas cabeças
temos o que não devíamos

quando a tempestade passa
sobre nossas cabeças
esperamos voltar a viver

(tarde demais)

pressões deixam marcas indeléveis
e nossas cabeças não são as mesmas.

(Pedro Du Bois, inédito)

segunda-feira, 5 de junho de 2017

PESSOAS

Milhares de pessoas
milhões de pessoas
bilhões de pessoas

quando chegamos éramos poucos

muitos
tentamos o início
na fusão do átomo

poucos sobreviventes
            milhares
               milhões
                 bilhões morrerão
    em despreocupado futuro.

(Pedro Du Bois, inédito)

terça-feira, 30 de maio de 2017

DESTINO

Destino avesso

no pensado
     examinado
      projetado
      vasculhado
       programado
        executado
bem sucedido

não há a sua participação

só se apresenta quando
nada dá certo:

          é o destino...

(Pedro Du Bois, inédito)

domingo, 28 de maio de 2017

SÓIS

A pele áspera
desdobrada em rugas

tanto naturais somos

até da luz solar
precisamos nos proteger
                   com naturalidade.

(Pedro Du Bois, inédito)

sexta-feira, 26 de maio de 2017

CANIBAIS

O canibalismo regrediu
tanto os escolhidos
se lamentavam
na hora do abate

não aguentamos lamentações

cachorros não são comidos
pela maioria dos povos

por conta de seus olhos tristes.

(Pedro Du Bois, inédito)

meiotom poesia&prosa

Concreto/Concrete, em:
http://www.meiotom.art.br/dupo17concreto.html

Isla Negra 13/444

Pedro Du Bois
Brasil -1947
Ir embora
 
Ao ir embora sabe:
                       não se mudam
                       as regras
                       inexistentes
 
(o peso da paixão
 o peso do caixão
 a prisão)
 
sobrevoa o lugar aberto
em barulhos e na rua
percebe vultos escondidos
 
                        regras intercaladas
                        na jogada aérea
                        sobre a área
 
(o piso frio recebe corpos
 amantes: a entrega vai embora
                                aos poucos).

TriploV Blog

Concreto/Concrete, em:
https://triplovblog.wordpress.com/2017/05/25/poema-31/?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+wordpress%2FYcoP+%28TriploV+Blog%29

quarta-feira, 24 de maio de 2017

SEM HONRAS OU GLÓRIAS

Dias sombrios
com temperaturas amenas
em ruas molhadas

pessoas pelas ruas
para destinos certos
sem passeios

pés em calçados
            casacos
            guarda-chuvas

dias em que vivemos
repetidamente
sem honras ou glórias.

(Pedro Du Bois, inédito)

segunda-feira, 22 de maio de 2017

FIM DE GUERRA

No fim da guerra
olhos buscam
a possível recuperação

reconstruídos
os campos de batalhas
retornam suas atividades diárias

campo
    campo
cidade
     cidade

no final da guerra
olhos escondem
a impossível recuperação

destruídos
         campos
         e cidade
         sonham recuperações.

(Pedro Du Bois, inédito)

sábado, 20 de maio de 2017

TRABALHO

Trabalho reiniciado
com redobrada vontade

procuro caminhos
em bifurcações de esperas:
               invado o terreno alheio
               e lá coloco a minha estrada

trabalho novamente paralisado:
                          discussões intermináveis
                          buscas jurídicas indefinidas

do oco da árvore
vento ásperas discussões
                             filosóficas.

(Pedro Du Bois, inédito)

quinta-feira, 18 de maio de 2017

NOMES E TÍTULOS

Oficiais
religiosos
civis

na identificação estereotipada
a exclusão de uns e outros

títulos cassados
ao povo que aceita
apelidos e alcunhas

de nada servem os nomes
se nos desconhecemos.

(Pedro Du Bois, inédito)

terça-feira, 16 de maio de 2017

ALQUIMISTAS

recado direto em linhas tortas
espaço vago entre todos
ocupado por espertalhões

quem se apresenta dizendo
trazer a mágica ligação
com o outro lado

se no lado depois alguém
precisasse atormentar
- os daqui - para demonstrar
                   a sua presença

ócio (além) criativo
desprovido do ridículo
senso de quem apenas
nos faz sorrir

(Pedro Du Bois, inédito)

domingo, 14 de maio de 2017

REPRODUZIR

O nascimento representa
a conjugação de esforços
no mesmo nome

registrar o nome
perpetua a família
em outra geração
que se completa

completa a geração
ao transferir para a próxima
a condição de se repetir

nascer
antes que o tempo passe
negue a natividade
e escureça o nome
na última morte.

(Pedro Du Bois, inédito)

quarta-feira, 10 de maio de 2017

SAIR

Quando saí de casa
pela primeira vez
não tinha certeza
           do destino
           nem do retorno

quando voltei pela primeira vez
não tinha certeza de nova saída
nem se devia ter voltado

quando não mais retornei
de onde estava
              a dúvida: não
              devia haver saído

não havia como voltar.

(Pedro Du Bois, inédito)

sábado, 6 de maio de 2017

CAMINHOS

Quem corta o acesso
e não nos permite entrar

contentes em olhar

quem bloqueia o caminho
e não nos permite continuar

contentes em ficar

quem de nós busca outros acessos
e se aventura em novos caminhos

não se contenta em olhar
                             e  ficar

descobre que há único acesso
                               e caminho

alto preço para olhar e passar.

(Pedro Du Bois, inédito)

quinta-feira, 4 de maio de 2017

INVESTIGAÇÃO

Quando encerra o expediente
o investigador engaveta
seu trabalho até o próximo dia

quando cessa o seu trabalho
no final do turno o investigador
leva para casa o seu raciocínio

quando descansa após o jantar
com a família ou o lanche
na bar da esquina o investigador
não pensa no caso engavetado

quanto tenta dormir no final da noite
com o que sonha o investigador?

(Pedro Du Bois, inédito)

terça-feira, 2 de maio de 2017

DESSONHOS

desimagino flores
apetaladas

desperfumadas

desinteresso vidas
incantonadas

epropriadas

inecessárias horas
desamanhecidas

dasapropriadas

desimensa estrela
não única

desseriada

(Pedro Du Bois, inédito)

domingo, 30 de abril de 2017

AMANHECER

Em que hora da pré-história
tivemos o primeiro beijo
entrelaçamos as mãos
e trocamos olhares?

Quando percebemos a reprodução
na continuação da história 
em que éramos personagens?

Em que noite entendemos a luz do fogo
mostrar nossos rostos em cavernas
multiplicadas no medo das sombras
entre paredes afugentar os predadores?

Quando começamos a amanhecer?

(Pedro Du Bois, inédito)

TriploV Blog

Vergonha / Shame, em:
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sexta-feira, 28 de abril de 2017

PRIMEIRA VEZ

Na primeira vez em que nos dispersamos
não tínhamos consciência do que fizemos
                     
apenas nos separamos
         e nos perdemos

em busca de caça (ao sul): alguns
em busca do calor (ao norte): outros

                  com nossas proles
                  quase famílias

quem decidiu ficar
                       seguir
                       ir atrás
                       foi ou ficou

na primeira vez não houve planos
não fizemos consultas
       nem argumentamos
       nem votamos pelo melhor caminho
   
não excluímos quem quer que seja.

(Pedro Du Bois, inédito)

quarta-feira, 26 de abril de 2017

ANTES

Se os peixes falassem
peixes não falam

se existissem sereias
sereias não existem

se houvessem pássaros extraordinários
pássaros assim não habitam

se pudesse gritar
que longe me ouvissem
mas não grito assim

nada além do satélite
que poderá me localizar
na imensidão deste mar
pré-náufrago.

(Pedro Du Bois, inédito)

segunda-feira, 24 de abril de 2017

MONOTONIA

No instinto o corpo salta
e leva a esperança
que estraga a surpresa
do chegar silencioso

todos sabem
o medo de quem salta

o instinto busca sobreviver
mais um dia entre tantos
em mãos ligeiras
     e pernas ágeis
na monótona rotina
antes que a bala alcance
ou que outros o peguem

todos sabem o medo
de quem não salta.

(Pedro Du Bois, inédito)

sábado, 22 de abril de 2017

CURRÍCULO

Mede a distância
traça trajetórias
esbarra

milimetricamente
calculo o ângulo
derruba

fecha o olho
alça a mira
erra

avalia o salto
retesa os músculos
embala as pernas
tropeça.

(Pedro Du Bois, inédito)

quinta-feira, 20 de abril de 2017

QUEM ESPERA

Na espera deformo a realidade
em que parte reflete novas imagens
e outra antecipa angústias

deveria estar acostumado
pois cada espera cria suas expectativas
ao aumentar e
                   ou retornar velhos fantasmas

razão para não ter chegado
nem abreviado o tempo necessário
                                 suficiente
                                 e raso para novas esperas

na espera encontro a outra imagem: vozes
sussurram alvíssaras em coros fracassados

na tentativa do equilíbrio
a espera traduz a sensação
de passar por baixo da escada.

(Pedro Du Bois, inédito)

terça-feira, 18 de abril de 2017

ACASO

Nada acontece por acaso
pode acontecer por descaso

ou nem acontecer

não há outro sentido
além da vontade

no realizar os instintos
desenvolvidos no sentido
que nos enlouquece
ao pensar que algo
acontece por mero acaso.

(Pedro Du Bois, inédito)


domingo, 16 de abril de 2017

FUTURO

futuro despreocupado
em presente favorável
de financiamentos facilitados
teatros com atores televisivos
televisão de modelos atuantes
modelos com pouco estudo
mas com presença
                charme
        e disponibilidade

futuro despreocupado
no presente em músicas
                    rap
                    hop
                    bop
                    tecno e tal
                    comercializadas
         em bailes apresentados
        de cristos representados
        nas comissões recolhidas

futuro despreocupado: não
               há preocupação
pelo (ainda) inexistente

(Pedro Du Bois, inédito)

sábado, 15 de abril de 2017

MEDROSOS

Medrosos são difíceis de morrer
                                      e de matar
                  (não cometem suicídio)

não são cortados na primeira dispensa
nem assaltados em ruas escuras
        atropelados ao atravessarem as ruas
        roubados na manipulação financeira
        esfolados na queda abrupta do dólar

não se resfriam
não são viróticos
não sofrem de cirrose
nem ficam em overdoses

medrosos são nossas defesas
ao equilibrar as balanças
e evitar a radicalização
             nas pesquisas

(só) morrem quando o medo
transborda seus potes de defesa.

(Pedro Du Bois, inédito)
     

quinta-feira, 13 de abril de 2017

LUZ DO SOL

Houve o primeiro dia
em que o homem
percebeu a luz do Sol

houve a primeira noite
em que o homem
notou faltar a luz do Sol

o homem percebeu além
do ser errante pelas pradarias

percebeu haver o Planeta.

(Pedro Du Bois, inédito)

terça-feira, 11 de abril de 2017

PALAVRAS

Gasto palavras presentes
no que me representam

não me recrimino pelo dito
passado: não o faço voltar

não guardo palavras futuras
poderão ser tempos de calar

palavras presas na raiva
inerte das autoridades
secas entre (des)iguais

gasto palavras
não repito termos
      abuso verbos
      parcimonioso adjetivo
      fujo advérbios.

(Pedro Du Bois, inédito)

domingo, 9 de abril de 2017

OUTRAS ESPERAS

                                           para Thereza

Ampliada espera
em angustiados
pensamentos. Quanto
tempo o verde aguarda
antes amadureçam
frutos recorrentes.

Rasgado tempo
de enviesada espera.
Sempre há quem saia
além de quem volta.

Avista: prerrogativa etérea
de quem olha em frente.
Toda demora predispõe
                        esperas.

Tantas esperas
poucas angústias
encerram.

(Pedro Du Bois, inédito)

sexta-feira, 7 de abril de 2017

DORES

dizer que tantos
falam na purificação do espírito
pela dor

dizer que carregam
o sofrimento do mundo
pela dor

dizer que sofrem
os pecados alheios
pela dor

e não dizer
da estupidez do corpo
sofrido - apenas - pela dor
consentida

(Pedro Du Bois, inédito)

quarta-feira, 5 de abril de 2017

ESPERAR

A angústia amplifica
o tempo de espera

o tempo multiplica
a angústia na espera

a espera torna infinita
a angústia temporal

indeléveis
marcas da paixão.

(Pedro Du Bois, inédito)

segunda-feira, 3 de abril de 2017

ATIVIDADES

Verifico as horas faltantes
           para terminar o dia

não são tantas
      são tontas
      como as anteriores

              horas perdidas
              em comprar comida
                    preparar comida
                                  comer

vejo as horas restantes
do dia

              lavo os pratos.

(Pedro Du Bois, inédito)

quinta-feira, 30 de março de 2017

Donos, em Poet's Dream

A SPECIAL MENTION FOR A GREAT POEM

I am fascinated by foreign languages, especially those that I don't understand fully or not at all. They allow me to focus on the sounds, rhythms and melodies that sometimes resemble music. Reading them is a little different of course, yet comes close. Today, my attention was drawn to +Pedro Du Bois 's entry DONOS. I checked the translation, but the original is so much more than just the meaning of the words. Therefore, I am happy to pronounce it Poem of the Day. Enjoy!

https://plus.google.com/u/0/108438516741639533660/posts/btU6AYCKCoP?cfem=1

DONOS

Minha
meu

sentido de propriedade
e posse

certidões
contratos
escrituras
registros

óbitos
espólios
heranças

enfileiradas carneiras
              ossário coletivo.

(Pedro Du Bois, inédito)

terça-feira, 28 de março de 2017

ESCALAR

a escadaria enrodilhada
em degraus simétricos

o corpo ante
a tontura vaga
no degrau da escada

os saltos dos sapatos
no mármore da escalada

no fim da escada
o corredor escuro
frente ao nada.

(Pedro Du Bois, inédito)

domingo, 26 de março de 2017

PRESENÇAS

Registro o nome
no livro aberto
aos presentes

o ausente ser
apresenta a face
da impaciência
na morte

em volta do caixão
vicejam conversas
lacrimejantes em risos

o registro guardado
ao corpo será lido
- nome a nome -
no recesso do tempo
restante.

(Pedro Du Bois, inédito)

sexta-feira, 24 de março de 2017

meiotom poesia&prosa

Hordas/Hordes, em:
http://www.meiotom.art.br/dupo17horda.html

PODERES

Posso ser tantos
                 santo
posso ser menos
                   nada
posso ser a hora
            estanque
            posso ser outro
                            mesmo
            posso ser vida
                            morte
                            posso perseguir dias
                                                      noites
                            posso vencer
                                       perder
posso esquecer
          lembrar
posso ser homem
                animal.

(Pedro Du Bois, inédito)

quarta-feira, 22 de março de 2017

meiotom poesia&prosa

Música e Palavra, em:
http://www.meiotom.art.br/dupo17mp.html

Isla Negra 440 + Navegaciones114

Pedro Du Bois
Brasil
Música e palavra

A música atravessou milênios
sacralizada no tom repetido
como interlúdio
intermezzo
interrogação
sobre as palavras

plurais palavras se repartiram
na repetição do foi nominado

a música altera o sentimento
do que é dito

foge do padrão inicial
ao multiplicar os sons da natureza
nos sons criados pelo homem

palavras e músicas caladas
são amores descobertos

no beijo na boca.



NOMINAR

Anônimo
interpreta o papel
esquecido        fala sobre o corpo
     recolhido ao sussurro
: o nome pronunciado indica
a origem
o caminho
o medo
explicitado na oferenda
e o siso contornado
em alas abrandadas
onde vidraças estilhaçam
pontos de reconhecimento.

A cor expressada ao abrir
os olhos determina
o momento em que o nome
não assumido aflora paixões
e desperdícios atomizam
regras reescritas na conformidade
exigida pelo rito em que se entrechocam
nomes            alcunhas        e apelidos
singelos apostos na infância: infâmia
nominada em restrito chamamento.

(Pedro Du Bois, inédito)


segunda-feira, 20 de março de 2017

TERRAS

Na terra
a pedra
esculpida

na terra
a guerra
consumida

na terra
o olhar
terreno

na terra a ambição
do eixo imaginário

desterro o sonho
e o aprofundo
em cosmos equilibrados
                   sustentados
                   indissolúveis.

(Pedro Du Bois, inédito)

sábado, 18 de março de 2017

EXAUSTO

Entrego verdades
ao lixo: catadas
em dias maldosos

não interessam luzes
barulhos
silêncios
murmúrios
palavras ao pé do olvido

encarcero a palavra feito
enfeite sobre as mesas
e a despojo ao solo
sob botas de dizeres

escuto o grito que me orienta
no não revelado: do cansaço
trago o desprezo dos dias acesos.

(Pedro Du Bois, inédito)

quinta-feira, 16 de março de 2017

NOME

Ao me perguntarem o nome
penso o começo e digo pedro
mesmo não sendo pedro
o primeiro nome recebido

no nome escondido
em que se expõe
a dor do parto

como se comporta a angústia
compreendida na impotência
revestida na espera do nome
                       ainda não dito

inaudita a criança nasce
no tempo aproximado
em que o corpo
a expulsa

o nome não vem junto:
aposto no futuro instante
em que se integra ao ser
e o torna permanente.

(Pedro Du Bois, inédito)

terça-feira, 14 de março de 2017

CORPO

O abandonado corpo subsiste ao tempo
em partes decomposto pela ignorada vida
de sucessivos fracassos desentendidos

o arcabouço reflete os sentidos
opostos nos descobrimentos:

o tanto percebido ao sabor do vento
nas mãos do ladrão apoderado do fracasso

o corpo não descansa em insensata matéria
na limpeza crua da decomposição atávica.

(Pedro Du Bois, inédito)

domingo, 12 de março de 2017

DISCURSOS

No discurso retiro a ênfase
transubstanciada em esgares

a mão prende o cumprimento
dispensado: a pausa dignifica
a frase estendida em ares
ecoados nas repetições

apático ouvinte assevera
ao transeunte estático
sobre céus primaveris

não me prendo em substantivos
de êxtases deprimentes no esquartejar
do alquebrado: pedra no estilingue
disparado em reconhecimento.

(Pedro Du Bois, inédito)


sexta-feira, 10 de março de 2017

MORRERES

Não basta
a morte
natural:

adoece o corpo em insondáveis
espectros de decomposição

temos assassinatos
           morticínios
           catástrofes

a morte personalizada
na desistente impotência
de cada ato suicida.

(Pedro Du Bois, inédito)

quarta-feira, 8 de março de 2017

OUVIR

Ouço a voz estática do que é dito.
A vida se mostra impura na ideia
dolorida das ressacas. Estar aqui
é contingência inelutável
da passagem gerada no vínculo
absurdo da maldade sobreposta
em atos desatinados de fatuidade
: nada representa a dureza
dos elementos em que minha
fala falseia a verdade na hora
de ser forte em solidariedades
(como se importasse): carrego
a ilusão simplória da fortuna
no fechar o caminho ao futuro:
ficar é inadmissível na voragem
dos sentidos: o sentimento dói
na verdade em que o corpo cede
e os olhos são fechados.

(Pedro Du Bois, inédito)

segunda-feira, 6 de março de 2017

TRADUZIR

Escuto o verso
            traduzido
            no absurdo
            gesto de mãos
acenadas ao infinito: palavras
                                      em retrocesso

             assisto o verso
             em gestos mensurados

conclusivo o verso
entreabre o infinito
e se demonstra
   não traduzido.

(Pedro Du Bois, inédito)
               

sábado, 4 de março de 2017

TÂNIA

De todos os rostos
de todos os olhos
de todos os sorrisos
              teu sorriso

na sinceridade do ato
teu sorriso anuncia
o tempo demonstrado.

(Pedro Du Bois, inédito)

quinta-feira, 2 de março de 2017

VIDA

A vida
nos conquista
pelo desafio
inimaginável dos fatos
despojados em árvores
sempre vivas

retira o sumo
que nos consome.

(Pedro Du Bois, inédito)



terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

ELOS

Acorrentados
em amizades
indestrutíveis

ansiamos
a liberdade
dos inimigos.

(Pedro Du Bois, inédito)


domingo, 26 de fevereiro de 2017

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

SER

quem se desvincula da família
e na solidão repete o nome
na exaustão do irreconhecível

destaca nas frases
os gritos de fadiga

quem entre parentes
nega o sangue na lividez
do encontro: sugere a fuga
transposta na imagem

usa em cada texto
as mesmas palavras

quem em casa abre as janelas
no balcão suspenso de raivas
acobertadas pelo nome
no sangue deletério

conserva o sentido inicial
do verso de forma conclusiva

(Pedro Du Bois, inédito)