sábado, 24 de fevereiro de 2018

OFÍCIOS

Quando a hora chega
vemos o despreparo

ao contrário do suicida
nunca estamos prontos

irritada a morte nos apressa
para que tudo seja rápido

não se preocupa com quem fica
chorando tristezas pelos cantos

faz apenas o que seu ofício
                                ordena.

(Pedro Du Bois, inédito)

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

DIGRESSÃO

Amadureço ideias
que cristalizadas
refletem temas

leio pela necessidade
de iniciar a obra

no que escrevo traduzo
sobras idealizadas.

(Pedro Du Bois, inédito)

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

PARTIR

Parte
quem sabe
começará a vida

parto
início de tudo
mesmo que não queira

desamparado presente
sente quem chega
sofre quem fica

(quando parte)

conta de chegar
conchas na praia
              esvaziadas da vida
             ecoam nos ouvidos
                     sons perdidos.

(Pedro Du Bois, inédito)

domingo, 18 de fevereiro de 2018

QUANTO

Quanto nos afastamos
da juventude: queriam
que ficássemos jovens
na ingenuidade: quanto
nos afastamos do infortúnio:
queríamos ficar chorando
lágrimas por perdidos
amores juvenis?

Alguns permanecem
em álibis não planejados:
                     cercas vivas
                de recordações.

(Pedro Du Bois, inédito)

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

(RE)CRIAÇÃO

Criamos nossos mitos
convivemos com eles

demônios atrás das portas
                entre as cortinas
                nas luzes apagadas
                                  sombras

o passar do vento
              fantasmagórico

que mais fazemos
perdidos nesta dimensão?

(Pedro Du Bois, inédito)

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

SONHAR

Aproveitar no sonho
que a realidade interpenetra
outras vidas

onde não começamos
nem vamos em frente
nem terminamos

na profundeza da dúvida
a certeza da irrealidade
na crença dos discípulos

futuro presente passado
entrelaçados: não sonhamos
o que podemos pensar.

(Pedro Du Bois, inédito)

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

MONOTONIA

esqueça as ameaças
tantas vezes recebidas

não tenha medo
nem o mistério lhe tolha os gestos

é livre para viver

sem suspense
a vida é cotidiana

alternados tempos de chuva e estio
plantar                 colher
rir                        chorar
achar                   perder

monótonos

(Pedro Du Bois, inédito)